Jogos Legacy

O Retorno dos Jogos com Modo Campanha, e o Que Isso Significa para o Hobby dos Jogos de Tabuleiro

Jogos de Tabuleiro Legacy: o retorno dos jogos com modo campanha, e o que isso significa para o hobby dos jogos de tabuleiro
12 de outubro de 2018 Leonardo Polak

No dia 29 de dezembro de 2017, um dos jogos de tabuleiro Legacy, o Gloomhaven, de Isaac Childres, assumiu a primeira posição no ranking do BoardGameGeek (BGG), roubando essa posição do aclamado Pandemic Legacy, Season 1.

A verdade seja dita, essa ascendência não foi nenhuma surpresa, já que a segunda edição desse gigante do crowdfunding havia sido entregue em outubro, e cada vez mais elogios sobre o jogo estavam sendo publicados.

O que talvez tenha sido uma surpresa, contudo, é que dos mais de 80 mil jogos registrados no BGG, hoje temos o primeiro e segundo lugar no ranking pertencendo a uma mesma categoria de jogos: os jogos baseados em campanha.

De onde esses jogos vieram e por que eles estão fazendo tanto sucesso fundo a fora? É justamente isso que analisaremos no texto de hoje.

Então vamos lá?!

ATENÇÃO: Antes de começarmos, é importante avisar que esse artigo não contém spoilers! Todos as informações aqui colocadas sobre os jogos podem ser encontradas dentro dos seus respectivos manuais.

Jogos de Tabuleiro Legacy com Campanha – o Início

Jogos Legacy - Heroquest - por Tony La Morte

Heroquest – Foto: Tony La Morte

As “campanhas” sempre foram um aspecto comum dos Role Playing Games (RPGs). Isso é, desde a criação do Dungeons and Dragons (D&D) nos anos 70, vários jogos de tabuleiro Legacy surgiram com a possibilidade de criar uma história que permita aos jogadores tomarem decisões que impactam suas partidas futuras.

Ironicamente, essa também foi a principal característica que fez com que muitos jogadores de RPG deixassem o hobby, e passassem a se dedicar aos jogos de tabuleiro.

Quando perceberam que não tinham tanto tempo para jogar quanto em sua juventude, vários jogadores viram nos jogos de tabuleiro uma solução, uma vez que eles oferecem uma maneira mais flexível de jogar, sem a necessidade de tantos encontros para finalizar uma história.

Os primeiros jogos de tabuleiro que surgiram para atender esse público foram o Heroquest e Space Crusade, ambos desenvolvidos no final dos anos 80, e altamente inspirados nos RPGs.

Desde então, pouquíssimos jogos haviam se aventurado nessa mesma categoria. Algumas exceções talvez sejam os jogos Warhammer Quest, de 1995, Dungeons & Dragons: The Fantasy Adventure Board Game, de 2003, e Doom: The Board Game, de 2004.

Então, em 2008, a editora Fantasy Flight Games resolveu investir no mercado dos jogos com campanhas, e lançou a expansão The Road to Legend, para o jogo Descent.

Essa expansão, além de adicionar o mapa de Terrinorth ao jogo base, introduzia algumas regras ao manual, permitindo que o jogo fosse jogado em modo campanha.

Desde então, dezenas de expansões e jogos de tabuleiro foram lançados com o mesmo intuito. Jogos como Mice and Mystics, Zombicide e Shadows of Brimstone podem testemunhar a volta desse estilo de jogo.

No total, mais de 40 jogos com campanha foram lançados nessa última década. Um aumento extremamente significante, quando comparado ao número de jogos dessa mesma categoria, lançados antes de 2008.

A Ascensão dos Jogos de Tabuleiro Legacy

No mesmo ano em que a Fansaty Flight Games lançava a expansão The Road to Legend, para o jogo Descent, o designer Rob Daviau trabalhava para a editora Hasbro, conhecida mundialmente pela produção dos jogos “Detetive”, “War” e “Banco Imobiliário”.

Na época, o designer estava em uma reunião com seus superiores, e fez uma piada sobre como as pessoas em “Detetive” deveriam parar de convidar o Coronel Mostarda para jantar, uma vez que ele era sempre o assassino.

Embora fosse apenas uma piada, naquele momento Rob Daviau teve uma ideia: o que aconteceria se uma versão de “Detetive” fosse criada, onde os jogadores pudessem lembrar o que aconteceu nas partidas anteriores, e não precisassem reiniciar tudo do zero?

Essa ideia foi prontamente rejeitada pelos gerentes da editora. “Eles olhavam para mim como se eu fosse louco”, conta Daviau. “Então eu pensei ‘bem, talvez seja uma ideia maluca, mas eu deixei ela guardada”.

Embora inicialmente céticos, a ideia de um jogo no formato de campanha provavelmente ficou nas mentes dos gerentes de Daviau. Digo isso porque alguns anos mais tarde, ela voltou à tona novamente em uma discussão sobre as possíveis novas versões para o jogo “War”.

Nas palavras de Daviau, “Meu chefe me pediu para trazer ideias. E eu acho que ele se lembrou e disse: ‘Bem, e quanto à aquela ideia de um jogo perpétuo?’

Designer Rob Daviau - Jogos de tabuleiro Legacy

Designer Rob Daviau

Daviau pensou sobre isso, e percebeu que o jogo “War” seria um modelo ideal para colocar sua ideia em prática.

Isso porque War é um jogo que possui diversos elementos estratégicos e que faz com que as pessoas fiquem malucas e emocionadas enquanto jogam. Essa era a combinação perfeita para o jogo que Daviau estava planejando!

A Origem de Risk Legacy

Nos meses seguintes, Rob Daviau e o designer Chris Dupuis foram encarregados da função de produzir uma versão de War que pudesse ser jogada em modo campanha.

O intuito principal do jogo seria fazer com que os jogadores carregassem as memórias e “cicatrizes” do que havia acontecido nas partidas anteriores, de forma que as decisões dos jogadores pudessem afetar as regras e dinâmicas presentes nas partidas futuras.

Dessa forma, quanto mais partidas fossem jogadas, mais drásticos se tornariam os efeitos das decisões tomadas pelos jogadores, deixando o jogo cada vez mais diferente.

O jogo levou cerca de 18 meses para ser desenvolvido, com Daviau trabalhando em quase todos os seus aspectos. Ele foi primeiramente chamado de “Risk Evolution”, depois “Risk Revolution”, e por fim “Risk Legacy”, o nome pelo qual foi publicado.

Em Risk Legacy, os jogadores jogam uma campanha de quinze rodadas, onde a cada partida o jogo muda radicalmente. Os jogadores são encorajados a escrever no tabuleiro e a rasgar certas cartas. Além disso, alguns adesivos devem ser colados no tabuleiro e no manual, alterando permanentemente as regras do jogo.

Legacy risk - Jogos de tabuleiro

Risk Legacy – Foto: Hahn Arama

Em Risk Legacy, você também encontra seis caixas seladas que são gradualmente abertas em circunstâncias específicas de jogo, introduzindo novas mecânicas e características.

Risk Legacy foi lançado originalmente em 2011, e até o final de 2012 foi um dos jogos de tabuleiro Legacy mais falados e comentados mundo a fora.

Comercialmente, contudo, o seu sucesso foi apenas como uma gota no oceano para a Hasbro, e a editora não demonstrou muito mais interesse em publicar jogos no mesmo estilo. Dessa forma, depois do lançamento de Risk Legacy, Rob Daviau deixou a Hasbro, a fim de se dedicar à criação de outros jogos detabuleiro Legacy.

Pouco sabia ele do sucesso que ainda estava por vir!

A Origem de Pandemic Legacy

Em 2013, Matt Leacock já era um designer consagrado de jogos de tabuleiro Legacy.

Caso você ainda não saiba, Matt Leacock é o criador do jogo “Pandemic”, um jogo cooperativo em que os jogadores tentam salvar o mundo do surto de 4 doenças desconhecidas.

Pandemic foi lançado originalmente em 2007, e você pode conferir a história completa clicando aqui.

A partir do seu sucesso inicial, foram lançadas diversas expansões e variações para o jogo base, de forma que a sua editora, a Z-Man Games, estava sempre a procura por novas maneiras de disseminar o jogo para novos jogadores.

Então, em 2013, dois anos depois do lançamento de Risk Legacy, Matt Leacock estava esboçando algumas ideias que poderiam funcionar para transformar Pandemic em um jogo com modo campanha.

Nas suas palavras, “De repente, eu estava muito viciado nessa ideia, e achei que o melhor lugar para ir seria procurar o cara que inventou todo o conceito”.

Dessa forma, na GenCon de 2013, Matt Leacock resolveu entrar em contato com Rob Daviau, a fim de sugerir que criassem juntos uma versão legacy de Pandemic. A princípio, Daviau lembra que não gostou muito da ideia.

Nas suas palavras, “Eu avisei o Matt logo no começo, dizendo:” Eu não acho que essa ideia do Legacy vai funcionar para um jogo cooperativo. O único outro jogo que eu havia feito na época era o Risk Legacy, então eu estava muito nessa mentalidade de jogadores agindo um contra o outro para balancear o jogo.”

A Criação de Pandemic Legacy

Felizmente, Leacock já tinha muita experiência em projetar jogos onde o tabuleiro precisa equilibrar as decisões dos jogadores.

A ideia original de Leacock era que o Pandemic Legacy ocorreria ao longo de um ano, com jogadores jogando todos os meses pelo menos uma vez. A cada mês jogado, o jogo evoluiria, introduzindo novos desafios para os jogadores superarem, ou novas ferramentas para ajudá-los a resolver os desafios já existentes.

A ideia era combinar isso com um forte arco narrativo, o que atraiu bastante Rob Daviau, uma vez que ele havia começado sua carreira na Hasbro como escritor, e sempre teve interesse em trazer histórias para dentro dos jogos de tabuleiro Legacy.

Para balancear o jogo, os designers ainda precisaram adicionar duas novas mecânicas.

Primeiramente, eles precisaram introduzir a ideia do “financiamento” que se altera com base nos resultados das partidas anteriores. Aqui, a ideia é que quanto maior o seu financiamento, mais cartas de evento você pode colocar no baralho de compras. Contudo, conforme você vence as suas partidas, o seu nível de financiamento cai.

Jogos Legacy - Protótipo do baralho de Pandemic Legacy

Baralho de Pandemic Legacy em construção – Foto: Matt Leacock

Na visão dos designers, isso ajuda a anular um problema comum nos jogos de tabuleiro Legacy, o chamado “efeito bola de neve”, onde quem ganha uma partida tem mais chances de ganhar a próxima, e quem perde tem mais chances de perder na próxima partida.

A outra solução para balancear o jogo foi fornecer aos jogadores uma ampla gama de ferramentas e habilidades, as quais podem ser escolhidas para abordar problemas específicos.

Por exemplo, se um grupo de jogadores não está conseguindo se mover apropriadamente pelo tabuleiro, é possível construir centros de pesquisa fixos, que facilitem a locomoção desde o início do jogo.

Em contrapartida, se um grupo de jogadores está tendo dificuldade em encontrar as curas das doenças, eles podem investir em “mutações positivas” que facilitem essa tarefa.

A Popularização do Sistema Legacy

O Pandemic Legacy foi lançado simultaneamente em 13 idiomas, em outubro de 2015. Ao contrário do Risk Legacy, que ganhou sua reputação ao longo de dois anos, o Pandemic Legacy foi um sucesso instantâneo.

Jogos Legacy - Rob Daviau e Matt Leacock

Rob Daviau (a esquerda) e Matt Leacock (a direita) na feita de Essen de 2016

Apenas três meses depois do seu lançamento, em janeiro de 2016, ele assumiu o posto de número #1 no ranking do BGG, um posto que carregou até dezembro de 2017, quando foi passado por Gloomhaven.

Entre 2015 e 2016, Pandemic Legacy ganhou oito prêmios diferentes, incluindo o Golden Geek Board Game of the Year e o As d’Or – Jeu de l’Année Expert, sendo nomeado também ao Kennerspiel des Jahres.

Esse sucesso retirou da maioria dos jogadores a desconfiança que possuíam sobre os jogos com campanha, permitindo que eles demonstrassem seu grande potencial.

Dessa forma, nos anos seguintes, diversos outros jogos tentaram emular o sucesso obtido pelo Pandemic Legacy.

Já em 2016, Rob Daviau trouxe o sistema legacy para os jogos 4X com o lançamento de Seafall.

Em 2017, Isaac Childres trouxe o sistema de campanha para os dungeon crawlers com Gloomhavem, e Jamey Stegmaier adaptou o sistema legacy para um eurogame de alocação de trabalhadores em Charterstone.

Agora em 2018, Jamey Stegmaier lançou a terceira expansão para Scythe, a chamada “The Rise of Fenris”, a qual adiciona o sistema de campanha ao jogo base.

Ainda em 2018, a segunda temporada de Pandemic Legacy foi lançada, e embora a resposta do público não tenha sido tão explosiva quanto no lançamento da primeira temporada, a maioria das pessoas a reconheceu como uma excelente continuação do primeiro jogo.

Por fim, a Bézier Games ainda planeja lançar o Ultimate Werewolf Legacy no final desse ano, prometendo trazer um dos mais famosos jogos festivos de blefe de todos os tempos para dentro da era legacy.

É pouco ou quer mais?!

Por que os jogos Legacy ganharam tanta aceitação?

Bom, agora que você já conhece parte da história que levou à ascensão dos jogos com sistema legacy, eu acho que podemos falar um pouco mais sobre quais são os fatores que fizeram com que eles ganhassem tanta aceitação.

Isso é, embora o Risk Legacy e o Pandemic Legacy sejam jogos construídos sobre franquias já consolidadas, isso não seria o suficiente para fazê-los ganhar tantos prêmios e elogios.

Existem, portanto, características intrínsecas desses jogos que fazer com que as pessoas queiram jogar e divulgar esses jogos, e é justamente disso que eu quero falar agora.

 

#1 – Jogos Legacy trazem longevidade

Jogos Legacy - Charterstone - por Henk Rolleman

Charterstone – Foto: Henk Rolleman

A primeira característica importante de se ressaltar nos jogos com sistema legacy, ou nos jogos com modo campanha de maneira geral, é que em média, esses jogos são jogados mais vezes que todos os demais.

Mas espere! Como é possível que um jogo que pede para os jogadores rasgarem cartas, e colorem adesivos no tabuleiro, acabe sendo jogado mais vezes que um jogo onde isso não acontece?

Isso acontece pelo arco narrativo criado por esses jogos. Isso é, quando você adquire um jogo com modo campanha, você quer jogá-lo todas as vezes que o seu grupo se reúne, a fim de descobrir logo qual a narrativa da campanha.

Isso sem mencionar que no caso do Pandemic Legacy, como existem duas temporadas, você quer terminar logo a primeira para poder prosseguir para a segunda.

Dessa forma, quando você adquire o Pandemic Legacy, por exemplo, você já sabe que o jogará ao menos 12 vezes, e possivelmente até 24 vezes. Se você contabilizar quantas partidas você tem com cada um dos seus jogos, quantos deles chegam a pelo menos 12 partidas? 

#2 – Jogos Legacy criam diversidade

Jogos Legacy - Gloomhaven - por Nico De Muy

Gloomhaven – Foto: Nico De Muy

Um dos desafios mais difíceis enfrentados por todos os designers de jogos de tabuleiro é “Como faço para que alguém jogue este jogo pela terceira vez?” Como jogadores, todos nós já passamos por isso.

Na primeira vez que você joga um jogo, ele é divertido. Na segunda vez, ele já parece um pouco repetitivo. Na terceira então, parece que você está apenas repetindo aquilo que funcionou nas partidas anteriores.

Para contornar esse problema, os designers utilizam algumas estratégias, como:

  • • Colocar algum fator “aleatório” no jogo, de forma que algumas situações do jogo não sejam puramente governadas pelos jogadores;
  • • Objetivos do jogo mudam a cada partida;
  • • Expansões são adicionadas para modificar algumas regras do jogo base;
  • • Novos cenários são desenvolvidos;
  • • Utilização de um tema cativante.

Dessa forma, não é surpresa que todas essas características sejam encontradas no sistema legacy. Elas adicionam diversidade, e cativam os jogadores a colocar o jogo novamente na mesa.

Ao rasgar cartas, e alterar as regras do jogo permanentemente, os designers garantem que cada partida será diferente da anterior, de forma que você não sente que está sempre jogando o mesmo jogo. 

#3 – Jogos Legacy criam experiências coletivas

Loja virtual de jogos de tabuleiro Legacy

Pandemic Legacy – Foto: Daniel Indru

Eu me lembro das minhas partidas de Pandemic Legacy com muito mais detalhes do que qualquer partida de Dominion ou  As Viagens de Marco Polo que eu já joguei. Essa é a experiência que um jogo legacy cria, não importa em qual grupo de jogo!

E até mais importante que isso, através dessas memórias, eu posso me conectar com qualquer outra pessoa que já tenha jogado Pandemic Legacy antes, uma vez que agora compartilhamos essa experiência.

“Você se lembra quando X aconteceu?” “Como o seu grupo lidou com o Y?”

É essa experiência coletiva que não tem preço, e que faz com que jogos como Pandemic Legacy e Gloomhaven tenha subido tão rápido no ranking do BGG.

São as memórias criadas no jogo que fazem com que os jogos de tabuleiro deixem de ser apenas uma forma de atividade recreativa, e passem a ser vistos como a tela de uma obra-prima, na qual nós jogadores somos artistas, e podemos criar algo totalmente único!

Considerações Finais

Quando se trata de jogos legacy, principalmente aqueles que rasgam cartas, e riscam o tabuleiro, diversos jogadores defendem que o investimento não vale a pena. Defendem que é muito melhor utilizar o dinheiro em um outro jogo, que permanecerá intacto no final da partida.

Pessoalmente, eu discordo! Para mim, adquirir um jogo legacy é uma experiência totalmente diferente do que adquirir qualquer outro jogo. Ao meu ver, comprar um jogo legacy é uma experiência muito mais similar a comprar um ingresso para ir ao cinema, ou para um concerto musical.

Isso porque nesses casos, eu não estou comprando algo puramente material. Eu estou adquirindo uma experiência, uma memória compartilhada com as pessoas que eu convivo.

Jogos de tabuleiro Legacy

Pandemic Legacy – Foto: Nate Sethman

Isso, ao menos para mim, possui um valor muito superior ao que gastei no jogo! Portanto, não fique fora dessa! Se você joga recorrentemente com um grupo, adquira um dos nossos jogos de tabuleiro Legacy, e compartilhe também essa experiência!

Referências:

Artigos:

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